#A_POSTA

Susana Torres: A influência da mente na alta performance

Susana Torres

Susana Torres é coach de alta performance, especializada em treino mental.

13 de Dezembro de 2018

“Um atleta que procura a máxima performance, é aquele que coloca todo o seu esforço e entrega no treino, mesmo quando ninguém o está a observar. Aquele que a encontra, é aquele que o faz diariamente”.

No desporto existem dois tipos de jogo: aquele que acontece fora do jogador e aquele que acontece dentro do jogador. No entanto, existem alguns tipos de desportos que, pela sua característica individual, tornam o jogo interior num desafio muitas vezes inultrapassável. É o caso do ténis.

Sabemos que a mente humana exerce um papel decisivo quando se trata de obter a melhor performance, e sabemos que para conseguir atingir o verdadeiro potencial, um atleta precisa aprender a silenciar a mente, isto não significa que tenhamos de lutar contra ela, mas sim de aprender a focá-la.

Foco é a chave para obter a melhor performance, uma mente focada não tem espaço para pensamentos negativos, para um diálogo interno destruidor, para um desequilíbrio emocional. Aprender a focar a mente, é aprender a colocar a atenção no sítio certo a cada momento. Muitos atletas sabem onde devem colocar a atenção, no entanto, em determinados momentos, não o conseguem fazer. As razões muitas vezes apresentadas são a falta de confiança, a falta de concentração e a sua brilhante capacidade de se julgarem constantemente.

Para aprendermos a silenciar a mente, precisamos entender que o julgamento foca a nossa atenção no passado, naquilo que já aconteceu, orienta-nos para o sentido oposto àquele em que decorre o jogo, o sentido oposto onde estão os resultados que queremos atingir. Por vezes, conseguir trazer para o consciente esta noção de que nos estamos a orientar na direção errada, é o suficiente para bloquearmos este processo e voltarmo-nos a focar.

Para aprendermos a silenciar a mente, precisamos entender que o julgamento foca a nossa atenção no passado,

Conseguir aceder à nossa máxima confiança e saber gerar este recurso sempre que necessitamos dele, é algo essencial para conseguir lidar com aquilo que está a acontecer. Reparo que muitos atletas duvidam das suas capacidades, colocam em causa o seu talento, muitas vezes quando não conseguem fazer coisas que já fizeram no passado, em outras competições, em outras circunstâncias. A verdade é que o corpo sabe o que fazer, e se já o fizeram bem feito, então o corpo também sabe como o fazer, isto é a consequência natural do treino, quando maior for a qualidade do treino, melhor serão absorvidas estas competências.

Conseguir colocar estas competências ao seu dispor num determinado momento, tem essencialmente a ver com a capacidade de lidar com a pressão, o significado que dão áquilo que está a acontecer, a habilidade para lidar e gerir as emoções, e toda a preparação mental que está presente nos momentos que antecedem o jogo. Muitas vezes não se trata de não saber o que fazer, nem como fazer, trata-se apenas de não limitar as capacidades pela avaliação e pelo julgamento.

Assim, é determinante colocar a atenção no presente, naquilo que está a acontecer, e focar na próxima coisa certa a fazer. A nossa performance será sempre um resultado entre a diferença do nosso potencial em determinado momento e todas as interferências que nos afetam. Estas interferências, a grande maioria das vezes, não podem ser anuladas, até porque, normalmente, se encontram completamente fora do nosso controlo. No entanto a forma como lidamos com elas faz parte da nossa responsabilidade, e é inevitavelmente algo que determina os nossos resultados.

Um atleta está sempre num processo de constante avaliação da sua performance, normalmente focado naquilo que não correu bem, com o argumento de entender aquilo que precisa melhorar. A questão é que estar a colocar a nossa atenção no erro, não só é prejudicial para um funcionamento saudável do cérebro, como nos produz sentimentos de frustração, impotência e antecipa na nossa mente cenários ainda piores que imaginamos que podem vir a acontecer.

Avaliar a performance é essencial, e numa primeira instância deve ser feito pelo próprio atleta

Se soubesses que não irias falhar, o que farias? Como farias?

Entendendo um pouco mais sobre a forma como o nosso cérebro funciona, como se estabelecem as ligações neurológicas, como se dá a produção dos neurotransmissores, chegamos à conclusão de que existem formas mais eficazes de avaliar a performance. Os atletas tendem muitas vezes a ser demasiado duros relativamente a si mesmos, a grande capacidade que tem de se autocriticar quando erram, não se revela da mesma forma quando conseguem obter resultados positivos, ativam a ideia de que o bom nunca é suficiente, e de que o mau é aquilo que deve ser alvo de avaliação. Avaliar a performance é essencial, e numa primeira instância deve ser feito pelo próprio atleta, é muito importante desenvolver esta capacidade de dar feedback a si mesmo, e só depois obter feedback por parte das outras pessoas.

Existem três tipos de perguntas que nos ajudam a fazer uma boa avaliação da nossa performance, e que devem substituir as autocríticas e o julgamento:

1 – O que correu bem? Onde estive bem? O que fiz bem?
Este tipo de perguntas, permite iniciar o processo com algo que nos vai motivar, traz reforço positivo e aumenta a autoestima e autoconfiança.

2 – O que posso fazer melhor? O que poderia ter feito melhor? Onde preciso trabalhar mais?
É neste momento que olhamos para o nosso potencial futuro, o próximo nível de desempenho, ou a necessidade de melhorar competências durante o treino. Focamo- nos especificamente nas coisas que podes ser alvo de melhoria, sem necessidade de nos classificarmos.

3 – O que preciso mudar para estar na minha máxima performance?
Esta pergunta leva-nos a colocar a nossa atenção na atitude, ou seja, na forma como estou a fazer as coisas, algo muito útil, pois mais uma vez não estamos a falar de competências técnicas, mas sim da forma como acedo a elas.
O treino mental é um processo, que nos permite otimizar a forma como lidamos com o nosso jogo interior, aquele que condiciona toda a performance e frequentemente acaba por decidir o resultado.

A performance otimizada está ao alcance de qualquer atleta, basta que queira ter resultados de excelência e que se proponha a alcançar o equilíbrio entre a componente física, técnica, tática e mental.


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